Transtorno de múltiplas identidades existe? O que a ciência sabe
Associado a traumas na infância, o transtorno dissociativo de identidade (TDI) provoca rupturas na memória e na percepção de si mesmo, mas ainda é cercado por mitos
Por Léo Marques, da Agência Einstein
Uma pessoa sai de casa para trabalhar e, horas depois, “acorda” em outro bairro sem saber como chegou ali. Outra encontra roupas no armário que não se lembra de ter comprado. Há quem seja chamado por nomes desconhecidos ou descubra mensagens enviadas sem qualquer recordação. Embora pareçam cenas de suspense psicológico, esses episódios podem fazer parte do cotidiano de quem vive com o transtorno dissociativo de identidade (TDI), condição psiquiátrica em que duas ou mais identidades distintas se alternam no controle da mesma pessoa.
Descrito no DSM-5, manual de referência da psiquiatria, o transtorno envolve rupturas na memória, na percepção de si e no comportamento. As chamadas identidades alternativas — também conhecidas como alters — podem ter maneiras próprias de falar, agir, lembrar e interpretar o mundo. “Algo imprescindível nesse quadro é a existência de uma lacuna de memória, onde uma identidade não lembra da outra”, explica o psiquiatra Daniel Oliva, do Espaço Einstein de Bem-estar e Saúde Mental, do Einstein Hospital Israelita.