Tabagismo segue em queda no Brasil, mas ritmo ameaça meta para 2030
Crise econômica, redução do investimento em políticas públicas e avanço dos cigarros eletrônicos desaceleraram o controle do consumo no país
Por Arthur Almeida, da Agência Einstein
Durante boa parte do século 20, fumar era um hábito amplamente difundido e socialmente aceito no Brasil. A publicidade associava o cigarro a sucesso, elegância e modernidade, e o consumo era comum em ambientes fechados e na presença de outras pessoas, inclusive de crianças. Esse cenário começou a mudar a partir de 1986, quando o país estruturou políticas consistentes de controle do tabaco, em resposta às evidências sobre seus danos à saúde.
Dados epidemiológicos ajudam a dimensionar essa transformação: um estudo publicado em 2007 no Bulletin of the World Health Organization aponta que, em 1989, 34,8% da população adulta brasileira era fumante. Desde então, a taxa de prevalência do hábito vem caindo de forma consistente a cada ano, consolidando o Brasil como uma referência internacional nas políticas de controle do tabaco.