Por que o uso recreativo de tadalafila pode ser tão perigoso
Medicamento para disfunção erétil ganhou popularidade nas redes sociais. Mas usá-lo sem indicação médica é, além de ineficaz, prejudicial à saúde
Por Arthur Almeida, da Agência Einstein
A tadalafila, medicamento recomendado para tratar disfunção erétil em homens a partir dos 40 anos, tem sido usada de modo recreativo por jovens brasileiros. Nas redes sociais, o fármaco ganhou o apelido de “tadala” e aparece em vídeos que o apresentam como uma espécie de solução milagrosa, capaz de garantir bom desempenho sexual e até atuar como pré-treino para potencializar ganhos musculares. O problema é que esses supostos benefícios não são amparados por evidências científicas. Na verdade, a prática pode ser muito perigosa para quem não tem indicação clínica.
Contudo, é justamente quem não tem qualquer diagnóstico que mais utiliza esse remédio. Uma revisão publicada em 2024 no Diversitas Journal analisou mais de 20 estudos brasileiros e estrangeiros das últimas duas décadas e revelou que, apesar de o perfil dos usuários da tadalafila e similares ser heterogêneo — sem um padrão único de estado civil, escolaridade, raça ou condição socioeconômica —, há um traço recorrente: a aquisição da medicação sem prescrição médica.