Fertilidade após os 35: o que está em jogo ao adiar a gravidez?
Avanços da medicina reprodutiva ampliam possibilidades, mas idade segue como fator decisivo para chance de concepção, riscos na gestação e desigualdades sociais
Por Marília Marasciulo, da Agência Einstein
Nos últimos anos, vem crescendo a procura por estratégias de preservação da fertilidade e técnicas de reprodução assistida. Entre 2020 e 2024, foram congelados quase 545 mil embriões no Brasil, com aumento de 47,6% no período, segundo o SisEmbrio, sistema da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) que monitora a produção de embriões no país. Apenas em 2024, 151,6 mil óvulos foram congelados, dos quais 57,1% eram de mulheres com 35 anos ou mais.
O movimento não passou despercebido pelo mercado. Impulsionado sobretudo pelo adiamento da maternidade e da paternidade, o setor global de serviços de fertilidade foi estimado em US$ 42,2 bilhões em 2023, segundo a consultoria Grand View Research, com projeção de ultrapassar US$ 70 bilhões até o início da próxima década.