Desigualdades geram disparidades no acesso a radioterapia no Brasil
Pacientes da região Norte percorrem distâncias quatro vezes maiores que os do Sudeste para tratamento; desigualdades geográficas, raciais e sociais são gargalos
Por Bruno Bucis, da Agência Einstein
O acesso à radioterapia ainda é um dos principais gargalos do combate ao câncer no Brasil. O tamanho do problema foi revelado em um estudo publicado em fevereiro no International Journal of Radiation Oncology, que mapeou as desigualdades desse tipo de tratamento no país, revelando barreiras geográficas, sociais e de complexidade que comprometem as possibilidades de cura.
A pesquisa analisou mais de 840 mil procedimentos radioterápicos realizados entre 2017 e 2022 em todo o país. A distância média percorrida no Brasil para acessar radioterapia, segundo a investigação, é de 120 quilômetros entre o endereço residencial e o centro de tratamento. Contudo, esse número varia de forma expressiva entre as regiões. No Sul, a média é de 71,3 quilômetros (km); no Sudeste, de 73,8 km; no Nordeste, sobe para 161,8 km; enquanto no Centro-Oeste alcança 238,9 km. Já no Norte, a distância média chega a 442,2 km, cerca de seis vezes mais do que a registrada no Sul e no Sudeste.