Cuidados com a saúde bucal podem ser desafio em crianças com TEA
Escovação difícil, seletividade alimentar, dor silenciosa e acesso limitado a especialistas tornam essencial a atuação integrada entre profissionais e famílias
Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein
Cuidar da saúde bucal de crianças com transtorno do espectro autista (TEA) é, para muitas famílias, um exercício diário de paciência, adaptação e persistência. A escovação dos dentes, um hábito aparentemente simples, pode se transformar em um momento de tensão, muitas vezes marcado por resistência e choro. Embora dificuldades na higiene oral também possam ocorrer em crianças neurotípicas, no caso do autismo elas tendem a ser potencializadas por fatores sensoriais e comportamentais.
Entre os obstáculos mais frequentes estão a hipersensibilidade ao toque, ao sabor e à textura, além de dificuldades de comunicação e compreensão da rotina. “Muitas crianças não toleram a escova na boca ou não entendem a necessidade da higiene, o que torna o processo estressante para toda a família”, relata a cirurgiã-dentista Danielle Lima Correa de Carvalho, professora da graduação em Odontologia do Einstein Hospital Israelita. Isso pode levar ao desgaste emocional dos cuidadores e, em alguns casos, à negligência da escovação.