16/07/2021

Psicologia

Como aliviar uma crise de ansiedade quando você está sozinho

O que fazer quando não há ninguém por perto e de repente surgem sintomas como palpitações, tensão extrema e tontura? Profissionais apontam os caminhos mais seguros para enfrentar picos de ansiedade

Por Priscila Carvalho, da Agência Einstein

As crises de ansiedade podem ser desencadeadas por diferentes fatores, do estresse excessivo ao medo da Covid-19. Elas disparam sintomas como suor frio, palpitações, mãos trêmulas, falta de ar, tontura e tensão exacerbada. Como agir diante desses sinais quando não há ninguém por perto?

Camila Magalhães Silveira, psiquiatra e pesquisadora do Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo, destaca que, ao sentir esses sintomas pela primeira vez, o recomendado é pedir um atendimento médico urgente. “A pessoa não vai saber diferenciar uma crise de ansiedade de um ataque cardíaco ou de labirintite. Nesses casos, respire profundamente e depois procure um serviço de emergência para avaliar o quadro clínico”, diz. A telemedicina, hoje disponível inclusive no SUS, é uma opção para se consultar com profissionais e entender o que está acontecendo.

Se essas crises já ocorreram outras vezes — e o indivíduo recebeu o diagnóstico de ansiedade —, é fundamental seguir as orientações passadas pelos profissionais anteriormente e entender que os sinais desagradáveis tendem a diminuir em alguns minutos. “Mesmo sendo assustador, esse momento vai passar. Exercícios de respiração ajudam a acelerar esse processo”, afirma Camila.

O ideal é buscar orientação profissional inclusive para saber como realizar esses exercícios. “Na crise, a pessoa deve iniciar uma respiração diafragmática lenta, com várias repetições. Ela precisa sentir o ar entrando e saindo”, explica Janaína Leão, especialista em neuropsicologia pelo Centro de Estudos em Psicologia da Saúde (CEPESIC). A psicóloga ainda destaca práticas como o relaxamento muscular progressivo: o paciente contrai a testa, o nariz, o abdômen, os braços ou as pernas de cinco a sete segundos, e depois relaxa essa musculatura.

Já o uso de medicamentos sem prescrição é contraindicado. “Até o remédio fazer efeito, a crise já passou”, alerta Luiz Dieckmann, psiquiatra e diretor do Instituto Brasileiro de Farmacologia Prática (BIPP). O tratamento de distúrbios psiquiátricos — com ou sem medicamentos — geralmente promove melhorias a médio e longo prazo, reduzindo a quantidade e a intensidade de episódios desagradáveis. Mais um motivo para buscar ajuda ao sentir sintomas sugestivos pela primeira vez.

Melhor tratamento

Tudo começa investigando o histórico de ansiedade. Muitas vezes, o paciente já apresenta problemas relacionados ao sono, fobias e um desgaste físico constante, mas nunca o relacionou a um transtorno psiquiátrico. “É preciso individualizar cada caso e fazer um bom diagnóstico”, destaca Camila.

A partir daí, aconselha-se um suporte multidisciplinar, com psiquiatras, psicólogos e outros profissionais que atuem em causas ou consequências da ansiedade. É importante compreender que o tratamento pode ser longo. Abandoná-lo por conta própria pode agravar a situação.

(Fonte: Agência Einstein) 

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