Como a crise climática impacta a prevenção e o tratamento do HIV
A ocorrência de eventos extremos pode dificultar o acesso da população a serviços de saúde, métodos preventivos e ainda facilitar comportamentos de risco
Por Arthur Almeida, da Agência Einstein
A emergência climática está silenciosamente remodelando os caminhos de prevenção e tratamento ao vírus da imunodeficiência humana, o HIV. Um estudo recente, publicado na revista Current Opinions in Infectious Diseases, sugere que a ocorrência de eventos climáticos extremos tem aumentado a vulnerabilidade da população ao patógeno causador da aids e agravado as condições de saúde de quem já convive com o vírus.
A partir da revisão de 22 pesquisas conduzidas entre 2022 e 2024, os autores, vinculados a diferentes instituições no Canadá, observaram que a seca prolongada e a escassez de água destacam-se entre os fenômenos de maior impacto na prevenção à infecção pelo HIV. Em diversas regiões dos Estados Unidos e do continente africano, houve diminuição na testagem para o vírus e aumento nos comportamentos de risco, como o sexo transacional (troca de sexo por dinheiro, favores ou bens materiais) e as relações sexuais sem preservativo.