Álcool eleva risco de demência mesmo em baixas doses, aponta estudo
Análise genética e de grandes bancos de dados contesta ideia de efeito protetor do consumo moderado e aponta risco progressivo
Por Gabriela Cupani, da Agência Einstein
O consumo de álcool, mesmo em pequenas quantidades, está ligado a um aumento progressivo no risco de demência. Um estudo publicado recentemente no periódico BMJ desafia a ideia de que doses moderadas poderiam proteger o cérebro. Ao combinar dados observacionais com análise genética de mais de 559 mil pessoas, os pesquisadores encontraram uma relação linear entre maior propensão ao alcoolismo e maior risco da doença — sem evidência de um nível seguro de consumo.
Após avaliar dados de dois grandes bancos de dados — o Million Veteran Program, dos Estados Unidos, e o Biobanco do Reino Unido —, os autores reuniram informações dos participantes com idades entre 56 e 72 anos. Diferentemente de estudos anteriores, baseados apenas em observação, o trabalho incorporou uma análise genética para investigar a predisposição tanto ao alcoolismo quanto à demência.