Genética pode influenciar idade do diagnóstico de autismo, aponta estudo
Pesquisadores identificaram dois caminhos de desenvolvimento ligados a conjuntos distintos de variantes genéticas, o que pode explicar diagnósticos precoces e tardios
Por Marília Marasciulo, da Agência Einstein
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode não seguir uma única trajetória de desenvolvimento. Há pelo menos dois caminhos distintos: um que se manifesta já na primeira infância e outro que só começa a se diferenciar na adolescência. Cada um deles está ligado a um conjunto próprio de variantes genéticas comuns, segundo um estudo publicado na Nature em outubro.
Liderada por Xinhe Zhan, do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, a pesquisa acompanhou crianças e adolescentes por vários anos e encontrou indícios de que esses dois caminhos — o que emerge mais cedo e o que se torna evidente mais tarde — também se refletem na genética. Os pesquisadores observaram que parte das variantes comuns se agrupa em um fator ligado a sinais já na primeira infância, enquanto outro grupo de variantes se associa a dificuldades que vão surgindo ou se intensificando na adolescência, com maior relação ao Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e a outras condições de saúde mental.