Cólica menstrual intensa na adolescência aumenta risco de dor crônica
Pesquisa reforça que dismenorreia severa não deve ser naturalizada e que tratá-la precocemente pode prevenir anos de sofrimento e melhorar a qualidade de vida
Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein
Para muitas adolescentes, a cólica menstrual é um incômodo aceito como “normal”. Mas um novo estudo, realizado por pesquisadores britânicos e brasileiros, mostra que jovens que sofrem com essa dor de forma intensa e repetida têm maior risco de desenvolver dor crônica na vida adulta, mesmo fora do período menstrual e em qualquer parte do corpo.
O trabalho, publicado em novembro na revista The Lancet Child & Adolescent Health, acompanhou por cerca de 12 anos 1.157 meninas, analisadas desde o nascimento pelo estudo Avon Longitudinal Study of Parents and Children (ALSPAC), conduzido no Reino Unido. Aos 15 anos, as participantes relataram a intensidade da dor menstrual (classificada em leve, moderada ou severa) e, aos 26 anos, informaram se sentiam dores persistentes por mais de três meses, critério usado pelos pesquisadores para definir dor crônica. A investigação excluiu aquelas que já tinham dores crônicas antes da menarca.