Mulheres negras têm quase o dobro de risco de morte materna no Brasil
Análise de duas décadas aponta desigualdades raciais persistentes e falhas na assistência durante gravidez, parto e pós-parto
Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein
A cor da pele ainda influencia o risco de morrer durante a gestação no Brasil. Um novo estudo nacional mostra que, entre 2000 e 2020, foram registradas 40.907 mortes maternas, sendo que quase 60% ocorreram entre mulheres pretas e pardas. Publicado em janeiro no International Journal of Environmental Research and Public Health, o trabalho revela que elas têm quase o dobro de risco de morte em relação às brancas, evidenciando desigualdades na assistência à saúde.
Apesar de avanços, a mortalidade materna no país continua alta e marcada por diferenças raciais, sociais e regionais. “Já havia evidências de maior risco entre mulheres pretas e pardas, mas queríamos avaliar se essa diferença estava diminuindo com o passar dos anos. Observamos que essas desigualdades persistem, mostrando que não se trata apenas de um problema assistencial, mas também estrutural”, relata a enfermeira Giovana Aparecida Gonçalves Vidotti, professora orientadora de mestrado e doutorado no departamento de Ginecologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e autora do estudo.