Vídeos sobre “epidemia de micropênis” em crianças geram desinformação
Conteúdos nas redes sociais induzem pais a buscarem tratamentos inadequados e a se preocuparem com um problema que, na verdade, é raro
Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein
Nos últimos meses, surgiram nas redes sociais vídeos falando de uma suposta “epidemia de micropênis” em meninos, muitas vezes defendendo o uso precoce de testosterona como solução. Há publicações com até 600 mil compartilhamentos. Para médicos, essa avalanche de informações pode levar pais e responsáveis a acreditarem que essa é uma condição comum ou que qualquer suspeita de tamanho menor exige tratamento hormonal.
A desinformação começa pelo fato de que um eventual problema no órgão sexual não se restringe ao tamanho. “Micropênis é um diagnóstico médico objetivo, não uma impressão visual”, explica o urologista Leonardo Borges, do Einstein Hospital Israelita. Essa é uma condição rara, que afeta cerca de 0,06% dos meninos. O diagnóstico é definido a partir de uma medida padronizada do comprimento peniano esticado, comparada com curvas de referência para idade e estágio puberal. “Não basta parecer pequeno. É preciso medir corretamente e interpretar no contexto clínico”, frisa Borges.